Resenha: O Homem sem Grana – Mark Boyle

O Homem sem Grana – já disponível em português – narra a história de Mark Boyle, um ativista inglês que passou um ano vivendo totalmente sem dinheiro. Criador da comunidade Freeconomy – que explico melhor logo abaixo – o autor vinha tentando colocar em prática os seus conceitos, mas sem êxito. A ideia de viver sem dinheiro surgiu e foi concretizada entre 2008 e 2009, coincidindo acidentalmente com o estouro da bolha imobiliária e a crise internacional, fato que acentuou ainda mais a visibilidade da ação.

o-homem-sem-granaA narrativa se inicia com os preparativos para o projeto, nos quais foram reunidos os recursos necessários para sua sobrevivência no período. Apesar de se sentir um pouco tímido em contar que estes objetos necessitaram ser “comprados” – uma ação tão antagônica ao seu propósito – o autor aproveita para dar ótimas dicas de como utilizar melhor o pouco que se tem.

As dificuldades físicas e psicológicas que se seguem durante todo o ano são retratadas cronologicamente e bem definidas pelas estações, justamente pelas diferentes dificuldades enfrentadas em cada uma. Conceitos de sua filosofia não monetária e dicas para quem também deseja começar a abrir mão do dinheiro são espalhadas em meio aos relatos descontraídos do autor, deixando tudo muito fluido.

Considerações

No início, nos é revelado um pouco dos motivos sociais pelo qual o autor optou por esse tipo de vida. A solução mais completa para um economia saudável, segundo ele, seria pularmos de uma escala global de produção para um relacionamento local com todos os envolvidos em suprir nossas necessidades.  O enorme alcance do dinheiro apenas colaborou para que:

“Os graus de separação entre o consumidor e o produtor aumentassem de tal forma que nos tornamos completamente inconscientes dos níveis de destruição e sofrimento incorporados nos itens que nós compramos”.

Neste caso, Mark cita que é necessário voltar as raízes e comprar produtos produzidos apenas a uma distancia possível de ser percorrida a pé do local onde se está situado. Desta forma, é possível conhecer todo o processo e todos os envolvidos e se tornar consciente de tudo que está sendo consumido.

Além disso, outro ponto abordado pelo autor é a “Fé”. Em épocas remotas, antes da existência do dinheiro, os seres humanos comumente sobreviviam dia após dia. A caça de hoje servia apenas para hoje, já que não havia possibilidade de guardar a carne. Esta era dividida com toda a tribo e no próximo dia deveria se caçar novamente, acreditando sempre que a terra continua capaz de prover as necessidades. O dinheiro, e consequentemente a possibilidade de se acumular bens trouxeram o medo de um futuro onde não há abundancia. É necessário juntar cada vez mais para assegurar a vida durante os tempos de escassez. Não há fé na Terra como provedora de nossas necessidades, já que novamente, estamos distantes dos reais produtores do que consumimos, não conseguimos nos sustentar sem o uso do dinheiro como moeda de troca.

O único ponto ruim do livro é que infelizmente a maioria dos serviços que o autor comenta não funcionam aqui no Brasil. O FreeCycle é um dos únicos que possuem grandes adeptos aqui no país. ( Eu sou cadastrado no grupo de São Paulo e funciona direitinho )

O que é a FREECONOMY

Freeconomy é uma comunidade onde “você pode adicionar habilidades, ferramentas e espaços que tem o desejo de compartilhar com membros em qualquer estágio e com conveniência.” Segundo ainda a descrição, você pode também fazer pesquisas as suas necessidade – e será apresentado a uma lista de pessoas que desejam dividi-las em uma região perto da sua. O ponto interessante é que a comunidade propõe encontros reais ao impor um limite de 3 emails para cada participante no mês.

Assista o vídeo para aprender um pouco mais sobre o Freeconomy , ou acesse o Fórum da iniciativa.

Vale a pena?

Mudou minha vida. O homem sem grana me trouxe conceitos de frugalidade e minimalismo que não imaginavam que eram possíveis. Se você já tem uma tendência a questionar o status quo, provavelmente te afetará também. Felizmente, Mark se adaptou ao estilo de vida e permanece até hoje vivendo sem dinheiro. O dinheiro recebido pelo livro foi doado a algumas instituições e usado para comprar um terreno para abrigar a comunidade Freeconomy, que vem crescendo consideravelmente.

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