Quadrinismos: Persépolis – Marjane Satrapi

Quadrinismos?

Conheço o Bruno de longa data e adorei o trabalho que o queridão tem feito aqui no blog. Pensei que poderia ajudar, mas como tratar de livros quando temos um monstro devorador de páginas administrando o blog?

Logo,  resolvi andar por outro caminho da literatura, os quadrinhos. Seguindo os mesmos ideais do blog, gostaria de trazer coisas que me agradaram e que me fizeram ver o mundo de outra forma, coisas que agregaram e, principalmente, compartilhar opiniões e experiências. Espero que gostem.

Como primeiro post de quadrinhos, gostaria de começar com o pé direito (se você for destro, é claro), com uma obra que, de certa forma, já caiu no gosto popular justamente por sua originalidade.  Quero introduzir os quadrinhos no blog por meio de uma das histórias que mais mexeram comigo nos últimos anos, tanto em relação ao enredo como a forma que é contada.

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O que é?

Marjane Satrapi, uma pessoa que sempre andou fora da curva, desde os CDs de punk que comprava quando criança até os cigarros de maconha que ela fingia tragar para se sentir descolada em meio aos seus amigos europeus.  Toda a história dessa iraniana de personalidade forte é relatada em sua graphic novel autobiográfica, Persépolis.

O que conta?

A história se inicia com o fim da monarquia dos Xás  e o início da republica islâmica no Irã. Marj, como é constantemente chamada por amigos e familiares, veio de uma família culta, que proveu para a filha uma educação laica em um colégio francês durante o governo do ultimo Xá. A família que sempre apoiou a retirada do Xá Mohammad Reza Pahlavi do poder, mal sabia que a revolução traria um islamismo ferrenho para o país e, com ele, uma mudança radical de hábitos. O ensino da religião islâmica nos colégios se tornou mandatório, assim como o uso do véu para as mulheres em todo o país.

Para muitos, portanto, o tiro foi pela culatra, trocaram um problema pelo outro. Marjane e sua família possuíam uma cultura à frente de seu tempo, o que os tornavam alvos do regime islâmico. No decorrer da história, Marjane cita constante mente familiares e amigos que foram capturados, torturados e até mortos nas mãos do governo.

Deste modo, pressupomos que o livro é extremamente trágico, de arrancar lágrimas dos olhos ou simplesmente nos deixar inconformados com a capacidade autodestrutiva do homem.

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Posso dizer com toda a certeza que a segunda opção é extremamente válida. Mas apesar das tragédias, a história da autora flui em seu traço e em suas palavras como uma verdadeira aventura. Marjane foi capaz de transmitir a sua personalidade por meio do desenho, de modo que, quando somado com o texto,  transforma aquela carga dramática e  e trágica do cenário político, religioso e familiar que habita. É isso que torna a HQ tão impressionante e envolvente.

Em meia hora de google, você acha inúmeros dramas de guerra e histórias do gênero sobre o Oriente Médio. Sobre as mazelas sofridas pelas mulheres, sobre os conflitos religiosos e étnicos. A diferença aqui é que temos uma personagem extremamente forte que encara os problemas de frente sempre visando sobrepujar os obstáculos, não importa quais forem.

Desde pequena, ela era uma garota forte que buscava a verdade com uma curiosidade quase infantil e mesmo os piores notícias não abalam este interesse dela pelo mundo que a cerca. Pode-se ver no quadrinho como ela foi capaz de narrar sequências realmente trágicas, de arrancar lágrimas dos olhos, com uma sutileza e simplicidade que beiram o tragicômico.

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É genial como a personagem encara os problemas, pois percebemos que apesar do sofrimento, ela é seca e instantaneamente aquilo já faz parte do passado e ela está pronta para outra. Uma personalidade provavelmente forjada pela realidade que a Marj viveu.

O traço dela transpira essa personalidade e entra em total harmonia com a história, ele é cru e seco, portanto, não espere desenhos elaborados ou a anatomia realista, comum nos quadrinhos americanos. A evolução da personagem durante sua jornada é trabalhada com esmero, a Marj do inicio não é a Marj do final. É uma história densa e realmente emocionante, vai arrancar risos e causar indignação, o que torna a obra tão fascinante.

A obra foi concluída em 2004 e, a partir da HQ, foi criada uma belíssima animação, na qual aproveitaram o traço da autora. O filme foi indicado ao Oscar de melhor animação em 2008 e vale muito a pena conferir:

 Vale a pena?

A história não exige nenhum tipo de bagagem sobre a história do Irã, muito pelo contrário, lhe apresenta um relato verídico e muito factível da realidade do país e principalmente das pessoas que o habitam. De modo que além de imergir na história da autora/personagem, você fica imerso à realidade daquela terra. Muito além da aula de história, tem uma personagem e um desenvolvimento extremamente envolvente. É obrigatório pra qualquer leitor de quadrinhos e amantes de boas histórias.


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