Resenha: Sobrevivente – Chuck Palahniuk

Sinopse

“ Lá se foi a primeira turbina, preciso contar a história mais rápido”. Tender Branson sequestrou um avião e sozinho está indo jogá-lo em alguma parte do mundo. O piloto ensinou-o como pilotá-lo até que o combustível acabasse e pulou de paraquedas, desejando-o boa sorte. Durante as 6 ou 7 horas de combustível que o avião possui, Tender contará toda a história de como se tornou o único sobrevivente de uma seita ultra conservadora que se suicidou pouco a pouco. Infelizmente, para chegar até esse momento, a realidade não foi muito justa com Tender, e essa é a única forma que encontrou para que o ouvissem a sua história com a devida atenção.

Comentários

Palahniuk me cansou um pouco. Sem brincadeira. Li o Clube da Luta, e poxa, INCRÍVEL. Fui correndo até o Condenada, e pô, bem legal, como ele escreve bem, não é? Quando cheguei até Sobrevivente parei para pensar: poxa, o cara está fazendo exatamente a mesma coisa!

Tá, não posso negar que me diverti. É a mesma coisa boa, a mesma literatura extremamente crítica, sarcástica e alfinetadora que tornam o seu livro interessante e leves o suficiente para nos divertir enquanto pensamos um bocado, mas é a MESMA coisa. Estão no livro os mesmos pensamentos desconexos que transitam entre o momento vivenciado pelo personagem na narrativa e parágrafos / pensamentos com informações aleatórias sobre misturas químicas, lembranças ou formas estranhas de se limpar, matar, arrumar, comer ou algo do tipo. Este tipo de escrita me impressionou em Clube da Luta, mas foi justamente por parecer algo único. Algo que apenas aquele personagem compreendia. Enfim, elas estão em O Sobrevivente novamente. Quer dizer, é possível que três personagens tão diferentes narrem história de formas tão parecidas? Principalmente quando estamos falando de histórias em primeira pessoa.

Tirando isso, o tema do livro me parece ser uma crítica contra os estilos de de vida impostos. Durante todo a história, o personagem é forçado a viver um estilo de vida imposto a ele, sendo durante sua infância/adolescência os termos criados pela sua igreja, ao seu período de maturidade as regras de seus excêntricos patrões, e mais para frente, pelas regras de mercado que seu agente acredita existirem e que o transformam no extremo oposto do que ele realmente era. Por fim, Tender tem um único momento em que se vê livre de suas amarras, mas se sente perdido e implora para que alguém venha tirar sua liberdade e obrigá-lo a seguir ordens. É difícil fazer as escolhas por si mesmo.

Olhando de outra perspectiva, também seus chefes sentem a necessidade opressora de se firmarem perante a sociedade, tal como a psicologa problemática de Tender e todos que compram a imagem a sua imagem e produtos, em um ciclo de mercantilização de tudo o quanto é possível, outro ponto bastante abordado.

Vale a pena?

Sobrevivente é um bom livro. É leve, questionador e altamente sarcástico. Não espere que seja incrível. É aquele seriado que você assiste enquanto aqueles poucos que você adora estão em “stand-by”, e que te diverte, mas que você não sai contando para os 4 ventos.

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5 thoughts on “Resenha: Sobrevivente – Chuck Palahniuk

    • Allan,como comentei, o livro ė até divertido, acabei ele rapidinho. Não sei se foi porque li três livros do palahniuk em um curto espaço de tempo, mas senti um deja-vu. Espero que leia Condenada, é um bom liovro também.

  1. Cara, acho que em Clube da Luta, Tyler tem conhecimento sobre as misturas químicas, formas estranhas de fazer as coisas e etc. por que é conveniente a ele, Tyler, saber tudo aquilo. Como o narrador mesmo diz “Sei disso por que Tyler sabe disso”. Aquilo que Tyler sabe, é útil a ele, fabricar sabão, bomba de nitroglicerina. Já Tender sabe tudo aquilo por que desde criança obrigam ele a aprender aquilo, aquilo só será útil pra ele por que ele será um “escravo” fora da fazenda. Acho bem gozado que no início do livro, Tender fala algumas vezes algo do tipo “Não estou aqui pra te encher com informações inúteis”, mas ele permanece até o fim falando essas “informações inúteis”, por que TALVEZ ele ache aquilo tudo extremamente útil, ou pode estar tirando sarro do leitor/ouvinte. O fato é que Tender Branson é um mala e Tyler Durden, um cara bem descolado. Então, acho que apesar do conhecimento semelhante dos dois em química, são circunstâncias totalmente diferentes. Apesar disso, concordo com todo o resto do seu texto. São personagens bem diferentes, o livro é realmente um pouco cansativo às vezes, e Clube da Luta é bem mais legal de ser lido.

    Ainda não li Condenada, mas ele será meu próximo livro de Chuck, com certeza.

    • Só complementando aqui, os livros não são a MESMA coisa. Sim, são parecidos pelo caráter depressivo e auto-destrutivo dos personagens, mas as estórias são muito diferentes. Em Sobrevivente, há muito mais crítica do que em Clube da Luta. Em Sobrevivente, a crítica se estende a igreja, mídia, trabalho, coisas supérfluas do dia-a-dia, tolice do ser humano… Enquanto Clube da Luta, em minha visão, a crítica se volta para o trabalho e as futilidades do cotidiano. São personagens muito distintos e estórias muitos distintas. A maneira de escrever, sim, é bem semelhante. Óbvio, pois trata-se do mesmo autor,

      • Robson, tudo bem?
        Concordo com você que os temas abordados são diferentes, e até o andamento da história ocorre de outra forma. É claro que o autor vai trazer traços parecidos porque é a mesma cabeça que escreveu as histórias, mas eu acho que isso foi intensificado por eu ler os livros logo em seguida. Eu gosto da forma como o Chuck escreve. Mas no fim, me parece que ele usa das mesmas ferramentas para alcançar diferentes objetivos, tal como um ator de novela que faz diferentes papeis e sempre parece o mesmo personagem. Funciona, mas eu gostaria de que fosse diferente. No fim, os atores mais fodas são aqueles que se desvenciliam de papéis passados e vão a fundo em uma nova interpretação. De qualquer forma, curti bastante o palahniuk e pretendo continuar seguindo e lendo os lovos lançamentos do autor.

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